Clorador salino: vale a pena trocar o cloro pelo sal?
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Clorador salino: vale a pena trocar o cloro pelo sal?

Lorraine

O cloro dura pouco no verão algarvio. Veja como funciona um clorador salino, quando compensa, como fica a água e o que verificar antes de trocar o cloro pelo sal.

Quem tem piscina no Algarve conhece a rotina. Comprar pastilhas ou cloro líquido, guardá-los longe das crianças e do sol, dosear à mão, medir, corrigir e esperar que o equilíbrio aguente até à semana seguinte. Em julho, muitas vezes não aguenta.

Ao longo de dezoito anos a trabalhar com piscinas na região, vimos a maioria dos nossos clientes de longa data trocar esta rotina por um clorador salino. Este artigo explica como funciona, quanto compensa, como fica a água e o que convém saber antes de mudar.

Como funciona um clorador salino?

O clorador salino instala-se na tubagem da piscina, depois do filtro, e transforma o sal dissolvido na água em cloro por eletrólise. O cloro desinfeta e volta a ser sal, e o ciclo repete-se. Em vez de dosear cloro à mão, junta-se sal na instalação e repõe-se de vez em quando ao longo da época.

A quantidade de sal é pequena. A água fica com 3 a 5 gramas por litro, muito menos do que a água do mar, que anda pelos 35. A maior parte das pessoas nem dá pelo sabor.

O que importa é o resultado. Para travar bactérias e algas, o cloro livre e o pH têm de estar sempre dentro dos valores certos, e o CDC recomenda um pH entre 7,0 e 7,8 e pelo menos 1 ppm de cloro livre. Um sistema que mantém esses valores sozinho faz o que um balde de pastilhas não consegue: não depende de alguém se lembrar.

Porque é que o verão algarvio gasta tanto cloro?

Por causa do sol e do calor. A radiação ultravioleta destrói o cloro que não está protegido, e com a água acima dos 30 °C as algas crescem mais depressa. O resultado é uma dose de cloro que desaparece em dois ou três dias, quando noutras alturas do ano durava uma semana.

A isto junta-se a variação de banhistas, sobretudo no alojamento local. Numa semana a casa tem quatro hóspedes e na seguinte tem doze, e quem gere a propriedade nem sempre está lá para ver a água começar a mudar.

O clorador salino resolve as duas coisas. Produz cloro a um ritmo constante, programado com o horário da filtração, quer o dono esteja em casa quer não. Na prática, isso quer dizer menos correções de química e menos episódios de água turva ou verde a meio da época.

Que clorador salino instalamos?

Trabalhamos com a gama Hidrolife da Sugar Valley, fabricada em Espanha. Experimentámos outras marcas ao longo dos anos e ficámos com esta pela construção e pela assistência.

As células eletrolíticas são de titânio e autolimpantes, e o aparelho tem um ecrã tátil a cores de 4,3 polegadas, que se pode retirar. Sensores integrados controlam o gás e o caudal de água. A produção de cloro vai dos 8 aos 50 gramas por hora conforme o modelo, por isso há uma unidade com a medida certa para quase qualquer piscina de moradia.

O que mais pesou na escolha foi o Hidrolife reunir tudo num só aparelho. Gere a produção de cloro, o pH, o horário da filtração e a iluminação da piscina. Com o módulo Wi-Fi opcional, liga-se à aplicação Poolwatch, da Hayward, empresa-mãe da Sugar Valley, e passa a ser possível ver e ajustar a piscina no telemóvel.

Um clorador salino compensa?

Compensa, mas não no primeiro dia. O equipamento custa mais à partida do que um balde de pastilhas. O que muda as contas é o custo de todos os anos, porque o sal para piscinas é dos produtos mais baratos que se compram e o cloro há muito que deixou de o ser.

Parte da explicação vem dos Estados Unidos. Em agosto de 2020, um incêndio na fábrica da BioLab, no Luisiana, tirou do mercado uma fatia grande da produção de pastilhas de cloro, numa altura em que a procura estava a subir. Os problemas de fornecimento e o custo da energia mantiveram os preços altos durante anos (Pool Magazine, novembro de 2024). O sal nunca entrou nesta história.

Depois da carga inicial, o sal de cada época custa uma fração do que se gastava em cloro. Ao fim de três a cinco anos, o sistema paga-se a si próprio. Há ainda uma poupança menos visível: com a química estável gasta-se menos ácido para acertar o pH e deixa de ser preciso esvaziar parte da piscina para corrigir a água, o que conta numa região com restrições de água recorrentes. Também se acaba com os bidões de plástico e o transporte de produtos perigosos, embora a célula gaste eletricidade e o sal também tenha de ser produzido e transportado.

Como fica a água?

Mais suave, e é isto que mais surpreende quem experimenta. O cloro fica num nível mais baixo e mais constante do que numa piscina doseada à mão, e a água deixa de ter aquele toque químico. Sai-se do banho sem a pele repuxada e sem os olhos a arder.

Ninguém diria que a água é salgada. É sobretudo por esta razão que muitas famílias com crianças pequenas pensam em mudar, e a poupança acaba por vir por arrasto.

O que convém saber antes de mudar para sal?

Há dois pontos, e nenhum deles impede a mudança.

O primeiro é a corrosão. Com o tempo, o sal dissolvido ataca ligeiramente alguns metais, por isso escadas, corrimãos e o permutador da bomba de calor devem ser de qualidade marinha ou estar bem protegidos. Verificamos sempre isto na visita, antes de recomendar a mudança.

O segundo é a célula. É uma peça de desgaste, dura vários anos e um dia tem de ser trocada. Na maior parte dos casos, a poupança em produtos de cloro paga essa troca várias vezes, mas é melhor contar com ela desde o início.

Para a maioria das piscinas de moradia na região, a cloração salina funciona bem. Faz ainda mais sentido no alojamento local, onde a automatização tira a incerteza entre hóspedes, e para quem quer água mais suave. Se tem dúvidas sobre a sua piscina, entre em contacto: vemos o equipamento que tem, recomendamos a unidade Sugar Valley adequada e explicamos a instalação.

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