
Cuidar da piscina no verão: 10 dicas para o clima do Algarve
Com calor, sol forte e água dura, a água da piscina desequilibra-se depressa. Dez dicas para a manter equilibrada, limpa e económica durante o verão, cada uma com a sua razão de ser.
Em julho, a piscina é a parte da casa que mais trabalha. Com dias acima dos 30 °C, sol forte e água da rede dura, a água desequilibra-se muito mais depressa do que na primavera. Reunimos aqui as dicas para cuidar da piscina no verão que mais repetimos aos proprietários com quem trabalhamos desde 2008, cada uma com a sua razão de ser.
O artigo é para quem trata da própria piscina ou quer saber o que pedir a quem trata dela. Não fazemos manutenção regular, mas instalamos e reparamos o equipamento de que estas rotinas dependem.
Como cuidar da piscina no verão?
Cuidar da piscina no verão é sobretudo uma questão de rotina. Analise a água todas as semanas e mantenha o pH entre 7,2 e 7,6 e o cloro livre entre 1 e 3 ppm. Deixe a filtração trabalhar durante o dia e tape a piscina quando ninguém a usa. Com calor, um pequeno desequilíbrio torna-se um problema numa semana.
O calor acelera as reações químicas na água, e o sol consome o cloro que não estiver protegido. A evaporação faz o resto, porque vai concentrando na piscina tudo o que não sai com a água.
1. Analise a água todas as semanas
A química da água é a dica que facilita as outras nove. Um equilíbrio que aguentou abril inteiro pode desfazer-se numa semana de julho, por isso convém analisar a água uma vez por semana desde o início da época.
Os valores de referência com que trabalhamos são o pH entre 7,2 e 7,6 e o cloro livre entre 1 e 3 ppm. A alcalinidade total deve ficar entre 80 e 120 ppm e a dureza cálcica entre 200 e 400 ppm. O ácido cianúrico, que é o estabilizante, deve ficar entre 30 e 50 ppm.
O estabilizante é o valor mais esquecido e o que mais pesa neste clima. Sem ele, o sol destrói o cloro numa tarde de céu limpo, e uma piscina que estava bem de manhã fica sem proteção ao fim do dia.
2. Controle o calcário da água da rede
A água da rede no Algarve passa pelo calcário e chega à piscina já carregada de cálcio e magnésio. Normalmente nota-se o efeito antes da causa: uma faixa esbranquiçada na linha de água, água que turva sem razão aparente ou uma célula de clorador que dura menos do que devia.
Manter o pH na metade inferior do intervalo e usar um sequestrante de calcário ao longo da época ajuda a travar os depósitos. Convém lembrar que cada reposição traz cálcio novo, por isso a água que a piscina perde por evaporação acaba por se transformar em dureza.
Num clorador salino, o calcário que se acumula no elétrodo não dá sinal. Obriga a célula a trabalhar mais até ao dia em que deixa de produzir cloro, e por isso vale a pena limpá-la como o fabricante indica.
3. Deixe a filtração trabalhar as horas certas
Muitos filtros trabalham poucas horas para poupar eletricidade, e essa poupança costuma sair cara. No verão, a filtração deve funcionar entre 8 e 10 horas por dia, de preferência nas horas de mais calor, quando o cloro é mais consumido.
A lavagem do filtro faz-se quando o manómetro sobe cerca de 0,5 bar acima da pressão com o filtro limpo, e não por calendário. Os cestos do skimmer e da bomba enchem depressa quando as árvores à volta largam folhas e flor. Se não sabe bem que filtro tem, o artigo sobre sistemas de filtração para piscinas explica as diferenças.
4. Previna as algas antes de as ver
As algas precisam de calor e luz, e o verão dá-lhes as duas coisas. Ao proprietário cabe não lhes deixar espaço. Escove as paredes e os degraus uma vez por semana, sobretudo nos cantos e atrás da escada, onde a água circula menos.
Em julho e agosto, um tratamento de choque a cada uma ou duas semanas previne mais do que corrige. Faça-o ao fim do dia, para que o sol não consuma o cloro antes de ele atuar. Na nossa experiência, uma rotina regular resolve mais do que comprar mais produtos.
5. Reduza a água que a piscina perde
Num clima como o nosso, uma piscina destapada perde por evaporação, em média, 4,4 litros por metro quadrado e por dia, segundo um estudo feito nas Ilhas Baleares (Hof e colegas, Water, 2018). No pico do verão perde mais. Numa piscina com 32 metros quadrados de superfície, a média dá cerca de 140 litros por dia.
A cobertura é a forma mais eficaz de travar esta perda. O Departamento de Energia dos Estados Unidos estima que reduz entre 30% e 50% a água de reposição e entre 50% e 70% o custo de aquecimento. Uma cobertura automática facilita o gesto de tapar a piscina, e é isso que o torna diário. O artigo sobre água, seca e a sua piscina explica outras formas de poupar.
Se o nível descer mais do que a evaporação explica, faça o teste do balde, que explicamos no artigo sobre a piscina a perder água. Se houver fuga, a nossa deteção eletrónica de fugas diz exatamente onde está. A reparação em si não é trabalho nosso.
6. Proteja o equipamento do calor
A casa das máquinas em agosto explica muitas das avarias que vemos. Bombas, bombas de calor e quadros elétricos envelhecem mais depressa num espaço fechado e quente do que num espaço ventilado. Dar sombra à zona técnica e manter as grelhas de ventilação desimpedidas custa pouco e prolonga a vida do equipamento.
Se a bomba fizer um ruído diferente ou o quadro disparar com o calor, convém mandar ver o equipamento antes que uma avaria pare a filtração em pleno agosto.
7. Limpe a linha de água antes que o calcário se fixe
Limpe a linha de água todas as semanas, antes que o calcário e os óleos do protetor solar se agarrem ao revestimento. Uma escovagem regular evita que as manchas se instalem.
Calcário antigo ou manchas que já não saem numa piscina com muitos anos costumam pedir mais do que limpeza. O artigo reparar ou renovar a piscina ajuda a perceber quando faz sentido uma remodelação, e o artigo sobre pastilha de vidro para piscina mostra as opções de revestimento.
8. Prepare a piscina para os meses em que não está
Uma piscina cujos donos passam semanas fora precisa de equipamento que funcione sozinho e que avise quando algo corre mal. Um clorador salino mantém a desinfeção estável sem ninguém a dosear produtos. O INDYGO Pool Level repõe a água de forma controlada e mostra o consumo numa app, o que ajuda a perceber uma perda anormal mesmo à distância.
Ainda assim, alguém tem de passar pela piscina todas as semanas para as tarefas físicas. Para quem tem a casa em alojamento local, a checklist da piscina para alojamento local reúne o que convém verificar entre hóspedes.
9. Gaste menos energia com os mesmos banhos
Uma bomba de velocidade variável move a mesma água mais devagar durante mais tempo e gasta bastante menos eletricidade do que uma bomba antiga de velocidade única. A iluminação LED consome muito menos do que a halogénea, e a cobertura guarda o calor que já pagou.
Numa piscina aquecida, uma bomba de calor inverter com cobertura é a combinação mais eficiente para este clima. As contas estão no artigo sobre como funciona uma bomba de calor para piscina.
10. Mantenha a piscina segura, além de limpa
Os produtos químicos devem ficar fechados num local fresco e ventilado, e não no canto mais quente da casa das máquinas, onde costumam acabar. Nunca se misturam e guardam-se sempre nas embalagens de origem.
Onde há crianças pequenas ou animais, uma barreira física protege quando a vigilância falha. Uma vedação amovível conforme à norma NF P90-306 cumpre essa função e sai depois sem deixar marcas no terraço. O artigo sobre vedar a piscina explica o que diz a lei e o que protege de facto. Teste o equipamento de segurança no início da época, e não no dia em que fizer falta.
O que aconselhamos
No verão, a piscina recompensa a regularidade mais do que qualquer produto. Com a água equilibrada e a filtração a trabalhar as horas certas, chega a setembro sem sustos.
Se algum equipamento da piscina precisar de atenção antes ou durante a época, entre em contacto.