
Hibernar a piscina no inverno: é preciso no Algarve?
No litoral algarvio a água quase nunca gela nas tubagens, por isso hibernar a piscina raramente faz sentido. O que o inverno faz à piscina, o que fazer antes dele e porque é a melhor altura para encontrar uma fuga.
Todos os outonos aparecem as mesmas instruções para fechar a piscina no inverno: esvaziar as tubagens e só voltar a olhar para a piscina em abril. Quase tudo isso foi pensado para países onde a água gela dentro dos tubos. No Algarve, isso praticamente não acontece, e as piscinas que mais nos dão trabalho na primavera são muitas vezes as que foram fechadas e esquecidas em outubro.
Este artigo explica o que o inverno faz de facto a uma piscina no Algarve e o que vale a pena fazer antes de ele chegar. Explica também porque é que estes meses são os melhores para perceber se a piscina tem algum problema.
É preciso hibernar a piscina no Algarve?
Na maioria dos casos, não. Hibernar a piscina serve para impedir que a água gele dentro das tubagens e as parta, e esse risco quase não existe no litoral algarvio. Em Faro, a temperatura mínima média de janeiro é de 8,3 °C. Manter a circulação num horário reduzido protege melhor a piscina do que fechá-la por completo.
Os valores vêm das normais climatológicas do IPMA para Faro, de 1991 a 2020. Nesses trinta anos, a temperatura mais baixa registada na estação de Faro foi de 0,3 °C negativos, a 5 de fevereiro de 2012. A noite mais fria em três décadas mal passou abaixo de zero.
Esvaziar e parar a piscina para a proteger de um gelo que não vem acaba por criar outros problemas. Os vedantes secam e estragam-se, e a água parada deixa crescer o que numa piscina em circulação não cresce.
Há exceções. Uma piscina na serra pode justificar o encerramento, tal como uma piscina que vai ficar o inverno inteiro sem uso e sem ninguém que passe por lá. A grande maioria das piscinas do litoral e do barrocal não está nesse caso.
O que faz o inverno a uma piscina?
Sobretudo, chove-lhe em cima. Segundo as mesmas normais do IPMA, chovem em Faro 181,2 milímetros entre dezembro e fevereiro. Numa piscina com 32 metros quadrados de superfície, isso dá cerca de 5.800 litros de água da chuva a entrar diretamente na piscina em três meses.
É esta a principal mudança do inverno. A água da chuva não traz sais nem minerais, por isso dilui o que já está na piscina: o sal numa piscina com clorador salino, a alcalinidade que segura o pH e o estabilizador que protege o cloro do sol. Uma piscina deixada sem atenção durante um inverno chuvoso raramente fica verde como no verão. Vai-se desequilibrando devagar, até que em abril o equilíbrio tem de ser refeito do princípio.
Junte-se a isto as folhas e a terra que as tempestades atiram para dentro de uma piscina destapada. Uma cobertura automática resolve quase tudo de uma vez, porque mantém a chuva, as folhas e a sujidade fora da água. Se compensa ou não o investimento é outra conversa, que explicamos no artigo vale a pena uma cobertura automática para a piscina?.
Porque é que o inverno é a melhor altura para encontrar uma fuga?
Porque é a altura em que a água da piscina mais facilmente se explica. No verão, uma descida do nível pode ter várias causas ao mesmo tempo, da evaporação aos salpicos dos banhistas e às lavagens do filtro. No inverno quase não há outras explicações.
Os números mostram a diferença. Um estudo sobre piscinas nas Ilhas Baleares, com um clima próximo do algarvio, mediu a evaporação ao longo do ano (Hof e colegas, Water, 2018). Entre novembro e março, evaporou-se só entre um quinto e um quarto do total anual. Se a isso juntarmos a chuva que cai dentro da piscina, uma piscina que continua a perder nível em janeiro dificilmente está só a evaporar.
É aqui que muitos proprietários raciocinam ao contrário. Uma perda de água notada em agosto é ambígua e costuma ficar mais um mês em observação. A mesma perda em janeiro é quase um diagnóstico.
Se o nível tem descido ao longo do outono, o teste do balde tira a dúvida numa tarde, e explicamos como se faz no artigo sobre a piscina a perder água. Se o teste apontar para uma fuga, a nossa deteção eletrónica de fugas localiza-a com a piscina cheia. Dizemos exatamente onde está a fuga. A reparação em si não é trabalho nosso.
O que vale a pena fazer antes do inverno?
Menos do que se costuma pensar. O mais importante é manter a água a circular num horário reduzido, em vez de parar a bomba. Convém também manter a água equilibrada, porque a chuva vai trabalhar contra isso o inverno inteiro, e tapar a piscina se tiver cobertura.
Esvaziar a piscina só porque vai estar parada não é boa ideia. Uma piscina vazia fica mais vulnerável do que uma cheia, porque é a água que equilibra a estrutura contra o terreno à volta, e os vedantes e acessórios secos deterioram-se. Só faz sentido esvaziar como parte de uma obra planeada.
Cada equipamento pede um cuidado diferente. Num clorador salino, convém confirmar o nível de sal depois de chuvas fortes, porque com o sal abaixo do valor certo o clorador deixa de produzir cloro sem dar sinal. A bomba de calor é o único equipamento que prolonga a época de banhos. As contas estão no artigo sobre como funciona uma bomba de calor para piscina. Já o controlo automático de nível, como o INDYGO Pool Level, é no inverno que mais se justifica, porque regista quanta água a piscina gasta enquanto ninguém está a ver.
Quem tratar da piscina durante o inverno deve olhar para ela com regularidade. Uma piscina vista todas as semanas em janeiro precisa de muito pouco. Uma piscina que só volta a ser vista em abril precisa de muito.
Porque é que o inverno é a altura certa para remodelar?
Porque uma remodelação obriga a ter a piscina fora de uso, e no inverno ela já está. Trocar a pastilha ou substituir um skimmer que falhou são trabalhos que tiram a piscina de serviço durante algum tempo. Feitos entre novembro e março, não custam nenhum dia de banhos.
O inverno também mostra o que o verão esconde. Com a piscina parada, o rejuntamento gasto e as pastilhas a levantar na linha de água ficam à vista. O artigo reparar ou renovar a piscina ajuda a perceber a diferença, e o nosso serviço de remodelação de piscinas trata da obra.
O que aconselhamos
Encare o inverno como a altura em que a piscina é mais fácil de perceber, e não como a altura em que deixa de pensar nela. Deixe-a a circular num horário reduzido, vigie o equilíbrio da água e aproveite a calma para resolver o que no verão é difícil de avaliar.
Se o nível tem descido, descubra porquê agora, enquanto a resposta é clara. Se a piscina anda com ar cansado há dois verões, é agora que se pode fazer alguma coisa sem perder uma época. Na nossa experiência, o problema de abril é quase sempre a decisão de outubro.
Se tem dúvidas sobre a sua piscina neste inverno, entre em contacto.