
Porque é que a água da piscina irrita a pele e os olhos, e o que mudar na água
A comichão na pele e os olhos vermelhos depois de nadar quase nunca são provocados pelo cloro em si. São provocados pelas cloraminas, que se formam quando o cloro reage com aquilo que os banhistas levam para a água. Uma piscina com cheiro forte a cloro tem cloro a menos e não a mais, e a solução está na química da água e não num creme.
Porque é que a água da piscina irrita a pele e os olhos, e o que mudar na água
A irritação da pele na piscina é habitualmente atribuída ao cloro, e a atribuição está errada. A comichão, a sensação de pele repuxada, os olhos vermelhos e a erupção que aparece debaixo do fato de banho são provocados por aquilo em que o cloro se transforma depois de reagir com o que os banhistas levam para a água. Em dezoito anos a analisar água em propriedades desta região, as piscinas que geram queixas quase nunca são as que têm cloro a mais.
A distinção interessa porque muda a resposta. Se o problema fosse o cloro, a solução seria nadar menos. Como não é, a solução está na casa das máquinas.
Porque é que a água da piscina irrita a pele?
Por causa das cloraminas e não do cloro. Quando o cloro livre encontra suor, urina, células mortas, protector solar e cosméticos, combina-se com o azoto que existe neles e forma cloraminas, que são os compostos que ardem nos olhos e inflamam a pele. O CDC, a autoridade norte-americana de saúde pública, descreve essa reacção com duas consequências: cria esses irritantes e "diminui a quantidade de cloro disponível para matar germes" (CDC, Healthy Swimming).
Quem reage a uma piscina está portanto a reagir a um subproduto e não ao desinfectante. A mesma pessoa costuma nadar sem sintomas numa piscina onde a química é mantida como deve ser, o que é a prova mais clara de que a variável é a água e não a pele.
O que está o cheiro a cloro a dizer?
Que a piscina tem cloro a menos e não a mais. O CDC é directo: se sente cheiro a cloro no sítio onde nada, provavelmente está a cheirar cloraminas. O cloro livre praticamente não tem cheiro. O odor agressivo que se associa às piscinas públicas e às privadas mal tratadas é o cheiro do cloro que já foi consumido pelos contaminantes e convertido em irritantes.
Vale a pena saber isto porque inverte o instinto da maioria dos proprietários. Um hóspede que se queixa do cheiro não está a descrever uma piscina com cloro a mais. Está a descrever uma piscina que precisa de mais cloro livre, de melhor circulação, ou das duas coisas.
Os valores da água que decidem se a pele reage
Três leituras fazem quase todo o trabalho. O Instituto Português da Qualidade recomenda um pH entre 7,2 e 7,6 para piscinas de uso privado, com cloro residual livre entre 1,5 e 3,0 mg por litro quando o pH está na parte alta desse intervalo. Estes valores são a base, e água mantida fora deles arde independentemente de tudo o resto.
O pH merece atenção especial, porque se aproxima do pH da lágrima e da pele. Água que derivou para 8,0 irrita os olhos mesmo com a leitura do cloro perfeita, e ainda inutiliza parte do cloro que lá está, já que o cloro perde grande parte do poder desinfectante à medida que o pH sobe.
O terceiro factor é a estabilidade, que não é bem uma leitura mas um padrão. Uma piscina doseada à mão duas vezes por semana passa a maior parte do tempo acima ou abaixo do valor pretendido, e é nos períodos abaixo que as cloraminas se acumulam.
Isto é comichão do nadador?
Quase de certeza que não, e o termo é usado a torto e a direito. A comichão do nadador, cujo nome correcto é dermatite cercariana, é causada por larvas de parasitas libertadas por caracóis de água doce, e apanha-se em lagos, albufeiras e rios lentos. As larvas não sobrevivem em água clorada (CDC).
Uma erupção que aparece depois de nadar numa piscina é irritação química. Chamar-lhe comichão do nadador manda as pessoas atrás da cura errada, e adia aquilo que resolveria mesmo o problema, que é uma análise à água.
O que reduz mesmo a irritação numa piscina privada
O doseamento contínuo, porque elimina os picos e as quebras que o doseamento manual cria. Um clorador salino gera cloro por electrólise a partir do sal dissolvido, de forma constante, portanto o residual de cloro livre mantém-se onde deve estar sem ninguém a vigiar. As unidades Sugar Valley que instalamos juntam essa produção à regulação automática do pH no mesmo controlador, o que resolve dois dos três pontos acima ao mesmo tempo.
Há aqui uma coisa que merece ser dita com clareza, porque o sector é descuidado com ela. Uma piscina salgada é uma piscina com cloro. O clorador fabrica o cloro em vez de o receber numa embalagem, e os banhistas notam a diferença porque a dose é estável e porque não há choques químicos periódicos, e não porque a água seja isenta de cloro.
A filtração é a outra metade. Matéria orgânica retirada pelo filtro é matéria orgânica que nunca chega a reagir com o cloro, razão pela qual um meio filtrante mais fino reduz a formação de cloraminas por arrasto. O nosso guia de sistemas de filtração explica como os meios se comparam.
Onde a piscina tem uso intenso, ou onde o proprietário quer ir mais longe, o sistema Dryden DAISY da nossa gama de tratamento avançado da água combina filtração, coagulação e oxidação, de forma a que o cloro livre seja necessário apenas como residual. A Dryden Aqua descreve o resultado como água de piscina com qualidade de água potável, transparente e sem cheiro a cloro.
O que o banhista pode fazer
Tomar duche antes de entrar, o que parece contraditório e não é. Pele já saturada de água limpa absorve menos água da piscina, e o enxaguamento retira o suor, o protector solar e os cosméticos que de outro modo se transformariam em cloraminas. Este hábito reduz a carga de irritantes para toda a gente que está na piscina, e não apenas para quem o faz.
Voltar a enxaguar à saída, de preferência nos primeiros minutos, e hidratar com a pele ainda húmida. É este o conjunto útil dos conselhos de pele. Se os sintomas persistirem numa piscina cuja química foi verificada, a pergunta passa a ser para um médico e não para uma empresa de piscinas.
Perguntas frequentes
Sou alérgico ao cloro?
A alergia verdadeira ao cloro é rara. O que a maioria dos nadadores descreve como alergia é irritação provocada pelas cloraminas, que se formam quando o cloro reage com suor, urina, células mortas e cosméticos na água. A mesma pessoa costuma nadar sem sintomas numa piscina bem gerida, o que é o sinal mais claro de que a variável é a água e não o nadador.
Um cheiro forte a cloro significa que a piscina tem cloro a mais?
Não, costuma significar o contrário. Segundo o CDC, o cheiro que as pessoas identificam como cloro são cloraminas, e as cloraminas formam-se porque o cloro livre já foi consumido pelos contaminantes. Uma piscina bem doseada cheira a muito pouco.
A comichão do nadador é causada pelos produtos químicos da piscina?
Não. A comichão do nadador, ou dermatite cercariana, é causada por larvas de parasitas libertadas por caracóis de água doce em lagos e albufeiras, e as larvas não sobrevivem numa piscina clorada. Uma erupção cutânea após nadar numa piscina é irritação química, não comichão do nadador, e as duas coisas são frequentemente confundidas.
Uma piscina de água salgada é mais suave para a pele do que uma piscina com cloro?
Uma piscina salgada é uma piscina com cloro. O clorador produz cloro a partir do sal dissolvido em vez de o receber de uma embalagem. O conforto melhora porque a dose é produzida em contínuo e se mantém estável, deixando menos margem para as cloraminas se acumularem, e não porque a água seja isenta de cloro.
Que pH deve ter a piscina para evitar irritação da pele?
O Instituto Português da Qualidade recomenda um pH entre 7,2 e 7,6 para piscinas de uso privado. Esse intervalo aproxima-se do pH da lágrima e da pele, razão pela qual água fora dele arde mesmo quando o cloro está correcto.
Se a sua piscina gera queixas e prefere resolver a causa em vez de gerir os sintomas, entre em contacto.